As vezes a Elaine vem aqui e me chama na porta, quando é assim eu já sei que é pra contar da dureza dela de cada dia, o bom é que aprendo que não sou a única dura da vez.
Mas o que me faz entendê-la e não criticá-la pela dureza temporária é que somos parecidas, nascidas no mesmo dia e de família importante, o que nos vamgloria perante à Ditinha, que é da Silva, mulher de traficante, mas tem dinheiro no bolso.
A nossa afinidade está no fato que, a conta de água pode estar vencida, mas a saída do final de semana é sagrada.
Esses dias ela veio aqui em casa dizer que precisava de alguém para religar a luz dela que foi cortada, veio no lugar certo, o que mais sei fazer nessa vida é gambiarra no relógio da luz , nem ela acreditou que eu sabia, mas isso é muito fácil, difícil mesmo foi fazer o que ela fez da outra vez.
Cortaram a luz no poste , então ela pegou uma corda, amarrou duas pedras em cada lado, e jogou no fio elétrico da rua, conseguiu fazer um apagão na rua toda, ligou pra Bandeirantes, dizendo que tinha um fio na rua solto e que precisava ser arrumado, como toda boa cara de pau, sabemos que os que arrumam a luz, não são os mesmos que cortam, então o pessoal veio e arrumou os fios arrebentados, inclusive o dela que estava cortado, ficou 6 meses com essa gambiarra.
A vida é boa demais para nos estressarmos a toa, quem tem criatividade, tem tudo.

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